quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

ERA EU NO ESPELHO

Hoje eu acordei bem cedo. E do jeito que estava, toda descabelada, com a roupa amarrotada, andei lentamente em direção ao espelho. Puxei uma cadeira que estava ali perto, acomodei-me nela em frente ao espelho.
Fiquei parada um bom tempo em silêncio observando todos os detalhes que o espelho refletia. Não sentia nada. Eu não a conhecia. Apenas observava. Pouco a pouco, foram vindo em minha mente quem eu era, o que já havia passado, a situação que me encontrava hoje e fui sendo invadida por um sentimento que não consigo descrever.
De repente, aquela imagem no espelho começou a ficar turva. Eram meus olhos que estavam sendo inundados por lágrimas que escorriam e rapidamente molhavam meu rosto e seguiam seu caminho caindo em meu colo.
Ao olhar para minhas mãos percebi que elas haviam acolhidos as minhas próprias lágrimas. Então, voltei o olhar para o espelho, levei as mãos até o meu rosto e enxuguei minhas próprias lágrimas.
Eu percebi que aquela pessoa que estava ali sendo refletida, ERA EU NO ESPELHO. Todos os dias passava, olhava, não reconhecia e ignorava.
Mas naquele momento, o espelho me mostrou que se um dia eu não tiver mais quem acolha o meu pranto, ou quem enxugue as minhas lágrimas, eu estaria ali para fazer por mim.
E compreendi que quando me encontrava sozinha, desamparada, sem nada para oferecer e sem ninguém a me socorrer ou que me entendesse, era a vida me ensinado que eu precisava saber que eu existo. Que eu sempre estava ali. Que a imagem que se refletia todo dia, ERA EU NO ESPELHO. E foi aí que encontrei o maior caso de amor da minha vida.

Raíssa Paula Sena dos Santos

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